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IA, pessoas e o futuro do trabalho

Reformular o trabalho e a responsabilização para a era da IA

Buki Obayiuwana
05/05/2026
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Quando as organizações falam de IA, a decisão começa, regra geral, por temas já familiares: casos de uso, projetos‑piloto, ganhos de eficiência, substituição de postos de trabalho e o risco de ficar para trás. Essas preocupações são reais, mas não contam toda a história.

O que muitas vezes passa despercebido é que a IA não está apenas a mudar o que é feito. Está a redefinir quem ou o quê executa o trabalho, como as decisões são tomadas e onde reside a responsabilidade. À medida que a IA se integra nas operações do dia a dia, o desafio deixa de ser a adoção e passa a ser o desenho, o controlo e a responsabilização.

A mudança que as organizações não estão a considerar plenamente

A maioria das organizações continua a encarar a IA como uma ferramenta de apoio às pessoas. No entanto, o trabalho é hoje executado através de interações entre humanos, sistemas de IA e identidades não humanas - agentes, bots e fluxos de trabalho automatizados. As decisões e ações fluem entre estes intervenientes de formas cada vez mais opacas. Ainda assim, as estruturas de responsabilização continuam a assumir que o trabalho é realizado por um único indivíduo humano. O resultado é um sistema que funciona, mas que não é totalmente compreendido. É esta lacuna que os líderes precisam de fechar.

As dez perguntas que os líderes precisam de colocar

Para compreender e gerir esta mudança, as organizações têm de ir além das capacidades e da cultura e colocar questões mais fundamentais.

  • Quem ou o quê está efetivamente a executar o trabalho?
  • Quem é responsável e legalmente accountable pelos resultados?
  • O que acontece quando a IA falha ou degrada?
  • Como irá evoluir a especialização humana?
  • Como estão os colaboradores a experienciar esta mudança?
  • Quem irá executar o trabalho no futuro?
  • Quem detém e governa a força de trabalho não humana?
  • Onde reside a responsabilidade entre fornecedores externos?
  • Quem está, de facto, a tomar as decisões?
  • Que trabalho deve permanecer humano?

Individualmente, nenhuma destas questões é nova. O que é novo é o grau de interligação entre elas e a rapidez com que falhas numa área criam exposição noutra. Este é o nosso pensamento diferenciador: tratamos estas questões como um sistema interligado, e não como riscos isolados.

Onde isto se manifesta na prática

Quem está a fazer o trabalho?
Os resultados operacionais são frequentemente produzidos por cadeias de humanos e IA. No entanto, a responsabilização continua a ser atribuída como se uma única pessoa tivesse executado a tarefa, criando ambiguidade e, por vezes, ausência de verdadeiro ownership.

Quem é dono das decisões?
A IA influencia hoje decisões de recrutamento, sinistros, subscrição de risco e deteção de fraude. O enviesamento, a explicabilidade e a exposição regulatória continuam a ser responsabilidade da organização, mesmo quando as decisões são influenciadas por IA. Os colaboradores podem ser responsabilizados por resultados que não conseguem explicar na totalidade.

O que acontece quando a IA falha?
A IA tende a falhar de forma gradual, e não abrupta. A degradação do desempenho pode afetar a priorização, o processamento ou a deteção de riscos - conduzindo a incumprimentos das expectativas de serviço. A resiliência depende da capacidade humana, da governação, da qualidade dos dados e do desenho de mecanismos de fallback.

Como está a mudar a capacidade humana?
À medida que os papéis passam da execução para a revisão, as competências podem degradar‑se. Isto reduz a capacidade de questionamento e aumenta a dependência - um risco estrutural para a resiliência.

Como estão as pessoas a experienciar a IA?
A IA altera a confiança, as perceções de justiça e os comportamentos. Sistemas opacos ou impossíveis de contestar promovem atalhos operacionais e enfraquecem os mecanismos de controlo.

Quem é dono da força de trabalho não humana?
Bots e agentes atuam de forma autónoma, mas muitas vezes não são governados como parte da força de trabalho, criando lacunas de segurança e de responsabilização.

Em conjunto, estas questões evidenciam um ponto crítico: a transformação com IA já não diz respeito apenas a competências ou tecnologia. Trata‑se de redesenhar o sistema de trabalho, a forma como as decisões são tomadas, como a responsabilização flui e como humanos e intervenientes não humanos operam em conjunto. As organizações que abordam estas questões de forma isolada irão falhar na compreensão da mudança estrutural mais profunda. As que as encaram como um sistema interligado estarão melhor posicionadas para construir organizações em conformidade, resilientes e verdadeiramente preparadas para um futuro potenciado por IA.

Porque é necessária uma visão sistémica

Estes temas são interdependentes: uma responsabilização fraca aumenta a exposição legal; a erosão de competências reduz a resiliência; uma governação deficiente conduz a falhas de controlo. Ainda assim, as organizações continuam a tratá‑los em silos.

Mas a IA não opera em silos.

Cria um sistema interligado onde pessoas, tecnologia e processos se entrelaçam; as decisões são distribuídas; e a responsabilização torna‑se difusa. Gerir esta realidade exige passar de uma abordagem focada em riscos individuais para o desenho e a governação do sistema como um todo.

A maioria das organizações já está a operar neste modelo. A verdadeira questão é: estão a desenhá‑lo de forma intencional ou a descobrir as suas fragilidades apenas depois de estas se manifestarem?

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Um framework holístico para a gestão de identidades humanas e não humanas

O nosso framework holístico permite‑lhe avaliar o seu nível de preparação e identificar as ações que necessita de implementar. A IA já está a transformar o sistema de trabalho, quer as organizações o estejam a desenhar de forma intencional, quer não. As organizações que irão liderar serão aquelas que enfrentarem estas questões de frente, mapearem a sua força de trabalho humana e não humana e criarem clareza na responsabilização antes que as lacunas se transformem em falhas.

Aceda ao Formulário de Resiliência IA abaixo

Para acesso ao Formulário de Resiliência IA, clique aqui.

IA, Mudança e Transformação

Para saber mais, convidamo‑lo a explorar o website, em Inglês: IA, Change and Transformation.

Autoria: Buki Obayiuwana, Managing Director, AI, Change and Transformation Consulting - Crowe UK.