A SANJOTEC esteve à conversa com Paulo Lourosa, sócio-gerente da Crowe Advisory PT, para fazer uma reflexão estratégica sobre como empresas de consultoria e organizações em crescimento se mantêm relevantes, tomam boas decisões e estruturam liderança e gestão num contexto de incerteza.
Mantém-se relevante com clareza de especialização e capacidade de execução. Especialização significa escolher onde cria mais valor (crescimento, eficiência, risco regulatório e transacções) e aprofundar competências, incluindo apoio em momentos de transacção e mudança estrutural (por exemplo, compra, venda ou integração de negócios), quando isso faz sentido para a estratégia do cliente. Execução significa transformar conhecimento em entrega repetível: metodologias, ferramentas, indicadores e equipas multidisciplinares. Aqui, a IA (Inteligência Artificial) já é um acelerador relevante: usamos automação e analítica para reduzir tempo de diagnóstico, melhorar qualidade de decisão e aumentar consistência na entrega, sempre com governação e controlos adequados. A relevância não se mantém com mais oferta de serviços, mas com melhores decisões e impacto mensurável para o cliente. Num contexto como o da SANJOTEC, que liga empresas e comunidade científica e trabalha com projectos tecnológicos e criativos próximos da indústria, isso passa por proximidade ao terreno, leitura rápida dos pontos de fricção e apoio pragmático para acelerar execução sem perder controlo.
Tomam-se decisões sólidas com um método disciplinado: hipóteses claras, 2 a 3 cenários plausíveis, opções com triggers de decisão e métricas de acompanhamento. Os dados reduzem incerteza, mas não substituem julgamento; por isso, o foco é separar ruído de evidência e procurar sinais realmente decisivos: comportamento de clientes, rentabilidade por cliente/venda (margem e custo de aquisição/serviço), capacidade de entrega, risco regulatório e segurança. Quando aplicável, usamos IA (Inteligência Artificial) para consolidar informação dispersa, identificar padrões e suportar cenários, mas a decisão final mantém critérios claros e responsabilidade humana. O que funciona é decidir por etapas (pontos de decisão faseados), adiar decisões irreversíveis até haver evidência suficiente e criar governação de decisão (critérios, responsáveis, prazos e cadência de revisão). Isto é especialmente relevante em empresas tecnológicas e industriais como as que a SANJOTEC apoia, onde a velocidade é crítica, mas o risco também.
As fragilidades mais frequentes são foco difuso (demasiadas iniciativas), gestão por urgência sem cadência e métricas, processos e controlo interno imaturos (financeiro, conformidade, segurança, qualidade) e dependência excessiva do fundador para decidir e segurar conhecimento. Muitas empresas crescem em receita, mas ficam para trás na infraestrutura de gestão: relatórios de gestão, previsões de tesouraria, papéis e responsabilidades, e gestão de risco. Isto torna-se ainda mais evidente quando a empresa quer levantar capital, porque o investidor vai exigir transparência, controlo e números consistentes. Os sintomas aparecem cedo: funil comercial instável, projectos que escalam mal, contratações apressadas e decisões que mudam semanalmente. A boa notícia é que isto é corrigível com disciplina e método, sem burocratizar a empresa.
Distingue-se por criar velocidade com controlo. Um bom líder define limites inegociáveis (conformidade, ética, segurança) e, dentro desses limites, dá autonomia para experimentar e aprender. A diferença vê-se nos mecanismos: decisões documentadas, critérios transparentes, gestão de risco integrada e uma cultura onde fazer depressa não significa fazer de qualquer forma. Em contextos regulados, a inovação sustentável nasce quando temas como contratos, dados, cibersegurança, privacidade, reporte e auditoria são tratados como parte do produto e da operação - e não como travão. É aqui que serviços como cibersegurança, conformidade RGPD (Regulamento Geral sobre a Proteção de Dados) e governação de risco ajudam a inovar com confiança, sem acumular dívida de controlo. Isto reduz fricção quando há auditorias, financiamentos ou decisões de risco, porque aumenta a confiança nas práticas e nos controlos da empresa.
A parceria com a SANJOTEC acrescenta-nos três factores muito concretos: proximidade ao terreno, qualidade do fluxo de oportunidades de empresas em crescimento e capacidade de activar iniciativas com impacto (sessões de trabalho, capacitação, diagnósticos). O facto de ser um Parque de Ciência e Tecnologia, com foco em acelerar projectos e aproximar indústria e conhecimento científico, melhora a qualidade das conversas e a rapidez com que se passa de hipótese a execução. Para as empresas, traduz-se em acesso a experiência prática em temas críticos - estratégia, crescimento, financiamento e risco, incluindo apoio em grants and incentives (incentivos e financiamentos públicos) quando isso acelera investimento, inovação e internacionalização e, quando faz sentido, apoio completo a processos de fusões e aquisições (preparação para venda, avaliação, due diligence, negociação e apoio pós-integração) - ajustado à fase de cada projecto. No fundo, é uma ponte entre conhecimento e execução, que torna a nossa intervenção mais rápida, mais informada e mais orientada a resultados.
Entrevista, no original, aqui.