Life Blend
Recursos Humanos – Tendências para 2019
Work Life Balance ou Work Life Blend?
Crowe Portugal
23/01/2019
Life Blend
Work Life Balance vs Work Life Blend

Work Life Balance ou Work Life Blend?

A tendência da sociedade atual tem derivado para o acelerar do ritmo de vida profissional e, consequentemente, a um pendor de maior cansaço e perda de produtividade dos diversos colaboradores. Neste sentido, parece-nos pertinente refletir sobre o aparente desequilíbrio entre a vida pessoal e profissional dos mesmos.

Empregos cada vez mais exigentes, falta de flexibilidade horária e deslocações de longa duração são algumas das principais causas que estão na origem deste desequilíbrio. De facto, são cada vez mais os colaboradores que não conseguem conciliar a vida profissional com a familiar, tornando-se este um desafio diário para cada um de nós.

Encontrar este equilíbrio, o chamado Work Life Balance (forma que os gestores de RH encontraram para ajudar os colaboradores), é uma tarefa bastante complexa, que exige muito esforço e dedicação por parte de cada um dos intervenientes e nem sempre há tempo para o fazer. Deste modo, Portugal apresenta-se como um dos países europeus em que o turbilhão das vidas privadas, especialmente em famílias com filhos, não são passiveis de conciliar com o ritmo acelerado do escritório, o que leva invariavelmente à falta de produtividade, qualidade de vida e frustrações por incapacidade de atingir o tal equilíbrio.

Numa economia globalizada, a redução de custos tem sido uma prioridade para muitas empresas, e algumas das medidas têm potenciado constrangimentos na atividade diária dos colaboradores, que necessitam de trabalhar mais horas para produzir em maior escala, não obstante de, em muitas situações, terem disponíveis menos recursos do que anteriormente.

O conceito de Work Life Balance traduz-se na possibilidade de ter as várias facetas da nossa vida, nomeadamente a profissional e a pessoal, em equilíbrio, evitando desta forma um desequilíbrio na vivência do dia-a-dia, que pode ter consequências gravosas para a saúde do colaborador. Estas podem passar por sentimentos de frustração contínua, derivada da incapacidade para atingir níveis de rendimento elevado e alcançar determinados objetivos, devido, por exemplo, à falta de horas de sono (tendencialmente descansamos menor número de horas para “ganhar” tempo de trabalho), a alimentação nutricionalmente desequilibrada (torna-se comum eliminar determinadas refeições, comer rápido ou optar por substituir determinada refeição por um snack) ou falta de atividade física, resultando num mal-estar físico e psicológico generalizado.

A consciência desta realidade por colaboradores e empregadores tem sido um ponto de partida importante para a mudança de mentalidade e incremento de boas práticas em cada vez mais empresas. O papel das organizações, cada vez mais sensíveis a esta problemática, assume uma importância fulcral no contributo para o equilíbrio entre trabalho e família, entre responsabilidade e lazer.

De que forma podem as empresas contribuir para o equilíbrio entre a vida profissional e pessoal dos seus colaboradores?

Este é um tema muito importante para os colaboradores. Diferentes diretores de recursos humanos têm corroborado a tese de que os colaboradores não procuram uma separação evidente entre a atividade profissional e o lazer, mas sim uma convivência salutar entre ambas, o Work Life Blend.

A verdade é que o ser humano não tem a capacidade de controlar os imprevistos próprios do dia-a-dia, seja no contexto de vida familiar (por exemplo quando adoece um familiar) ou no contexto de atividade profissional (quando surge um projeto profissional de extrema importância, para o qual temos de dispensar temporariamente maior atenção), e a gestão destas duas vertentes torna-se um desafio, que depende da nossa disponibilidade e da capacidade de adaptar a nossa rotina diária.

O conceito de Work Life Blend nasce com a necessidade de fusão entre a vida profissional e a pessoal, ou seja, a necessidade de fazer tarefas de âmbito profissional no tempo destinado à família e ocupação pessoal e, do mesmo modo, tarefas do foro pessoal/familiar no tempo destinado ao desempenho da atividade profissional.

Assim, os departamentos de Recursos Humanos e os responsáveis pelo processo de contratação deparam-se com um novo desafio: a flexibilidade laboral responsável. A flexibilidade no trabalho é um benefício cada vez mais valorizado e procurado pelos colaboradores.

Há cada vez mais estudos orientados para esta temática, que evidenciam que trabalhadores com flexibilidade no trabalho conseguem obter mais qualidade de vida, sendo mais proativos e produtivos, relevando maior satisfação e motivação, bem como maior envolvimento com a organização, da qual originam resultados muito positivos na relação laboral com a entidade empregadora.

Como seres humanos que somos, são as nossas emoções que nos definem. A flexibilidade laboral permite maior equilíbrio emocional na gestão das duas vertentes da nossa vida e permite ao trabalhador gerir e controlar o seu tempo de forma responsável, em função de necessidades emergentes que surjam neste âmbito, sejam estas motivadas por questões de parentalidade ou outras no interesse do colaborador, ou motivadas pelos interesses do empregador e pela necessidade de atingir determinados objetivos dentro de determinados prazos.

Cabe às nossas organizações, e também aos seus colaboradores, adaptarem-se para conseguirem responder às necessidades e aspirações mútuas, focando-se nesta nova tendência. Embora pareça um conceito de simples implementação, é ainda recente e exige conhecimento e responsabilidade por parte do colaborador, para que seja autónomo na gestão e controlo do seu próprio tempo de trabalho, tendo em consideração um equilíbrio natural entre as necessidades pessoais e os superiores interesses do empregador.

Por parte das organizações a implementação deste novo conceito, com sucesso, implica:

  • Estratégias mais claras e transversais a todos os trabalhadores;
  • Adquirir valores mais fortes;
  • Serem líderes ao invés de chefes;
  • Definir políticas de local de trabalho que incentivem comportamentos mais saudáveis.

São vários os estudos que apontam evidências de que colaboradores com mais flexibilidade laboral revelam menor saturação e stress no posto de trabalho e na vida familiar, tendo, consequentemente, melhor saúde mental e física e melhor desempenho profissional, tornam-se, por isso, mais saudáveis e eficazes. Pelo contrário, colaboradores sem flexibilidade no trabalho apresentam maiores índices de saturação e stress no posto de trabalho e na vida familiar, tornam-se menos saudáveis e com fraco desempenho profissional.

Criar nas organizações um contexto de trabalho mais humano, que permita uma constante e dinâmica interação responsável entre o trabalho e a vida pessoal e familiar, considerando o papel do individuo em todos os contextos de vida em sociedade, poderá potenciar trabalhadores mais dedicados e com maiores índices de motivação, com benefícios evidentes para o próprio empregador, família e comunidade em que os mesmos se inserem.