Stress no trabalho: quanto custa não agir?

26/10/2026
Stress no trabalho: quanto custa não agir? | Crowe em Portugal

O stress e os problemas de saúde psicológica no trabalho podem custar às empresas portuguesas até 13,3 mil milhões de euros por ano em perda de produtividade. O valor corresponde a cerca de 1,5 milhões de euros por hora.

A estimativa consta da terceira edição do relatório “Prosperidade e Sustentabilidade das Organizações”, publicado pela Ordem dos Psicólogos Portugueses em outubro de 2026. 

Mais do que um número impressionante, esta estimativa mostra que a saúde psicológica no trabalho já não pode ser tratada apenas como uma questão individual ou de bem-estar.

É também uma questão de produtividade, sustentabilidade e gestão.

 

O custo do absentismo e do presentismo

O relatório estima que, em 2024, cada trabalhador tenha faltado, em média, 13,5 dias por ano devido ao stress e a problemas de saúde psicológica.

A estes dias somam-se até 27 dias de presentismo.

O presentismo ocorre quando a pessoa está presente no local de trabalho, mas não consegue trabalhar em plena capacidade devido a problemas de saúde ou desgaste psicológico.

No total, são até 40,5 dias de trabalho afetados por trabalhador, por ano.

Esta distinção é importante. O impacto não se manifesta apenas quando alguém falta. Muitas vezes, começa antes, através da redução da concentração, da energia, da qualidade do trabalho e da capacidade de decisão.

Dos 13,3 mil milhões de euros estimados, cerca de 4,4 mil milhões estão associados ao absentismo e 8,9 mil milhões ao presentismo. Ou seja, aproximadamente dois terços do custo estimado resultam de situações em que as pessoas continuam a trabalhar, mas sem conseguirem fazê-lo em plena capacidade.

 

Um problema que cresceu rapidamente

A perda de produtividade estimada mais do que quadruplicou entre 2020 e 2024:

  • 3,2 mil milhões de euros em 2020;
  • 5,3 mil milhões de euros em 2022;
  • 13,3 mil milhões de euros em 2024.

O valor corresponde a cerca de 2,1% do volume de negócios anual das empresas portuguesas não financeiras.

As pequenas e médias empresas suportam a maior parcela da estimativa, com cerca de 10,2 mil milhões de euros, face a aproximadamente 3,1 mil milhões nas grandes empresas.

Estes dados devem ser lidos com cautela. O cálculo considera apenas custos indiretos de absentismo e presentismo, exclui a Administração Pública e não inclui outros efeitos possíveis, como conflitos, rotatividade, erros, acidentes e degradação do clima organizacional.


A prevenção é uma decisão de gestão

O relatório estima que medidas de promoção da saúde psicológica, prevenção e identificação precoce dos problemas possam reduzir estas perdas em pelo menos 30%. Isto representaria uma poupança próxima de 4 mil milhões de euros por ano.

O objetivo não deve ser apenas reagir quando o problema já está instalado. As organizações precisam de compreender quais são os fatores que estão a gerar desgaste, avaliar os riscos psicossociais e intervir sobre as condições que influenciam a saúde e o desempenho das pessoas. Entre esses fatores podem estar:

  • excesso de exigências e carga de trabalho;
  • falta de autonomia;
  • ausência de reconhecimento;
  • pouca clareza nas funções;
  • mudanças organizacionais mal acompanhadas;
  • conflitos ou comportamentos inadequados;
  • falta de apoio das lideranças;
  • dificuldade em conciliar a vida profissional e pessoal.


O papel da Consultoria Comportamental

A prevenção dos riscos psicossociais exige uma abordagem estruturada e adaptada à realidade de cada organização.

A Consultoria Comportamental da Crowe integra psicologia organizacional, ciência do comportamento, coaching e estratégias de gestão de pessoas. O trabalho pode incluir:

  • avaliação e diagnóstico dos riscos psicossociais;
  • identificação das forças e vulnerabilidades da organização;
  • programas de sensibilização e promoção da saúde psicológica;
  • coaching e mentoria;
  • workshops e dinâmicas de grupo;
  • avenças de intervenção;
  • apoio a lideranças e equipas em processos de mudança.

O objetivo não é apenas reduzir o absentismo ou o presentismo. É criar condições para que as pessoas possam trabalhar com maior segurança psicológica, autonomia, clareza e capacidade de desempenho.


Saúde psicológica e sustentabilidade

Os dados disponíveis mostram que o custo de não agir é elevado. Mas também mostram que a prevenção pode gerar benefícios humanos e organizacionais relevantes.

Uma organização saudável não é aquela onde não existem pressão, exigência ou mudança - é aquela que consegue reconhecer os riscos, apoiar as pessoas e criar condições para responder aos desafios sem transformar o desgaste numa consequência inevitável do trabalho.

A saúde psicológica deve, por isso, fazer parte das decisões de gestão, das políticas de sustentabilidade e da estratégia de longo prazo das organizações.

A questão já não é saber se a saúde psicológica tem impacto no negócio. É perceber se a organização está a medir esse impacto e a agir sobre as suas causas.



Referências
  • Ordem dos Psicólogos Portugueses. (2026). Prosperidade e Sustentabilidade das Organizações — Relatório do Custo do Stresse e dos Problemas de Saúde Psicológica no Trabalho, em Portugal.
  • Ordem dos Psicólogos Portugueses. “Stresse e problemas de saúde psicológica podem custar até 13,3 mil milhões de euros por ano às empresas portuguesas.”
  • Sol. “Stresse no trabalho pode custar 1,5 milhões de euros por hora às empresas portuguesas.”
  • Sábado. “Stresse e problemas psicológicos no trabalho custam 1,5 milhões de euros por hora às empresas.”
Conheça o Serviço de Consultoria Comportamental.

Entre em contacto


Ivandro Monteiro
Ivandro Monteiro
Associate Partner BehaviouralAdvisory Firm