A estimativa consta da terceira edição do relatório “Prosperidade e Sustentabilidade das Organizações”, publicado pela Ordem dos Psicólogos Portugueses em outubro de 2026.
Mais do que um número impressionante, esta estimativa mostra que a saúde psicológica no trabalho já não pode ser tratada apenas como uma questão individual ou de bem-estar.
É também uma questão de produtividade, sustentabilidade e gestão.
O relatório estima que, em 2024, cada trabalhador tenha faltado, em média, 13,5 dias por ano devido ao stress e a problemas de saúde psicológica.
A estes dias somam-se até 27 dias de presentismo.
O presentismo ocorre quando a pessoa está presente no local de trabalho, mas não consegue trabalhar em plena capacidade devido a problemas de saúde ou desgaste psicológico.
No total, são até 40,5 dias de trabalho afetados por trabalhador, por ano.
Esta distinção é importante. O impacto não se manifesta apenas quando alguém falta. Muitas vezes, começa antes, através da redução da concentração, da energia, da qualidade do trabalho e da capacidade de decisão.
Dos 13,3 mil milhões de euros estimados, cerca de 4,4 mil milhões estão associados ao absentismo e 8,9 mil milhões ao presentismo. Ou seja, aproximadamente dois terços do custo estimado resultam de situações em que as pessoas continuam a trabalhar, mas sem conseguirem fazê-lo em plena capacidade.
A perda de produtividade estimada mais do que quadruplicou entre 2020 e 2024:
O valor corresponde a cerca de 2,1% do volume de negócios anual das empresas portuguesas não financeiras.
As pequenas e médias empresas suportam a maior parcela da estimativa, com cerca de 10,2 mil milhões de euros, face a aproximadamente 3,1 mil milhões nas grandes empresas.
Estes dados devem ser lidos com cautela. O cálculo considera apenas custos indiretos de absentismo e presentismo, exclui a Administração Pública e não inclui outros efeitos possíveis, como conflitos, rotatividade, erros, acidentes e degradação do clima organizacional.
O relatório estima que medidas de promoção da saúde psicológica, prevenção e identificação precoce dos problemas possam reduzir estas perdas em pelo menos 30%. Isto representaria uma poupança próxima de 4 mil milhões de euros por ano.
O objetivo não deve ser apenas reagir quando o problema já está instalado. As organizações precisam de compreender quais são os fatores que estão a gerar desgaste, avaliar os riscos psicossociais e intervir sobre as condições que influenciam a saúde e o desempenho das pessoas. Entre esses fatores podem estar:
A prevenção dos riscos psicossociais exige uma abordagem estruturada e adaptada à realidade de cada organização.
A Consultoria Comportamental da Crowe integra psicologia organizacional, ciência do comportamento, coaching e estratégias de gestão de pessoas. O trabalho pode incluir:
O objetivo não é apenas reduzir o absentismo ou o presentismo. É criar condições para que as pessoas possam trabalhar com maior segurança psicológica, autonomia, clareza e capacidade de desempenho.
Os dados disponíveis mostram que o custo de não agir é elevado. Mas também mostram que a prevenção pode gerar benefícios humanos e organizacionais relevantes.
Uma organização saudável não é aquela onde não existem pressão, exigência ou mudança - é aquela que consegue reconhecer os riscos, apoiar as pessoas e criar condições para responder aos desafios sem transformar o desgaste numa consequência inevitável do trabalho.
A saúde psicológica deve, por isso, fazer parte das decisões de gestão, das políticas de sustentabilidade e da estratégia de longo prazo das organizações.
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