No processo de venda de uma Empresa, diversos fatores devem ser tomados em consideração.
Uma Empresa é transacionada pela sua capacidade de gerar resultados. Para tal existem um conjunto de ativos, sejam eles tangíveis como intangíveis, estando ou não registados contabilisticamente, que são essenciais à operação da empresa e consequente criação de valor (por exemplo carteira de clientes, colaboradores, know-how, equipamentos, entre outros).
Há, no entanto, ativos que, apesar de serem contabilisticamente relevantes, podem ser substituídos com relativa facilidade sem afetar a geração de resultados da empresa. Os imóveis nos quais as empresas operam podem ou não ser um fator crítico. O presente artigo centra-se na apresentação dos diferentes cenários possíveis com separação dos imóveis nos quais uma empresa opera no processo de venda da mesma.
Focando no racional financeiro da separação (abordaremos a componente fiscal noutro artigo subsequente) existem várias razões que podem concorrer para a separação do negócio do imóvel, entre as quais:
O valor de mercado do imóvel é superior ao valor contabilístico, havendo uma potencial mais valia implícita que o comprador pode não querer pagar e desembolsar o cash para aquisição de imóveis quando o que pretende é adquirir um negócio.
Numa transação, a propriedade do imóvel pode ou não ser incluída no negócio. De facto, se o comprador estiver interessado em apenas adquirir o negócio, o vendedor pode continuar a ser proprietário do imóvel. Porém, se o comprador quiser desenvolver ali a sua atividade irá ter de pagar as rendas associadas a este imóvel ou, então, vai ter de encontrar uma nova localização para a empresa.
Em primeiro lugar, é necessário esclarecer que EBITDA são os lucros antes de juros, impostos, depreciações e amortizações e compreender a diferença entre EBITDA ajustado e EBITDA não ajustado. Por uma questão de simplificação consideremos o EBITDA como o lucro gerado pela operação, ou seja, a diferença entre as receitas e os custos operacionais de uma empresa. Ajustamos estes lucros para expurgar as receitas e os custos que sejam extraordinários (que não serão recorrentes, não sendo expectável que se repitam no futuro). Adicionalmente, também expurgamos outros custos operacionais e receitas e custos one-off que, não sendo relativos à operação, ali são incluídos (ex: despesas pessoais dos acionistas). Assumindo este exemplo, quando ajustamos o EBITDA evidenciamos um custo de €100K correspondente à renda que a empresa pagaria por um imóvel semelhante (em termos de área, localização, etc.) ao que opera.
Se a empresa for transacionada a um múltiplo médio de mercado de EV/EBITDA de 6.0x (sendo este múltiplo uma das métricas utilizadas para comparar empresas em termos do seu valor):
A empresa ABC tem três distintos cenários para a venda da empresa:
Vende a empresa, excluindo o imóvel da transação por um valor de 6 * €400k = €2,4 M e vende o imóvel a um investidor imobiliário. Esta transação pode gerar, em média, (assumindo como pressuposto a renda anual de €100k e uma rentabilidade exigida pelo investidor imobiliário anual de 6%, cerca de €100k / 0,06 = €1.666 M.
No entanto importa referir que estes são cenários generalistas que devem ser analisados caso a caso, uma vez que há um conjunto de circunstâncias que podem afetar estes cenários:
Desta forma, cada situação é única. Assim, cabe ao acionista decidir se prefere incluir o imóvel no negócio ou separá-lo, dado que ambas as opções poderão ser vantajosas em circunstâncias diferentes. É essencial procurar profissionais experientes para o ajudar a decidir e a tomar as decisões que o favoreçam mais, reduzindo, assim, os riscos que possam existir numa transação.
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