Limited Assurance

Quando a confiança precisa de evidência

Isabel Alaminos
29/09/2026
ESG | Limited Assurance | Crowe em Portugal

Durante muito tempo, o foco das organizações esteve em compreender o que reportar em matéria de sustentabilidade. Hoje, a questão está a evoluir: Até que ponto é possível confiar na informação reportada?

Clientes, instituições financeiras, investidores, parceiros de negócio e outros stakeholders estão cada vez mais atentos à qualidade, consistência e rastreabilidade dos dados ESG.

Neste contexto, apresentar indicadores pode já não ser suficiente. Em determinadas situações, torna-se necessário demonstrar que a informação divulgada assenta em processos robustos, metodologias claras e evidência adequada.

É aqui que a Limited Assurance ganha relevância.

E, embora seja frequentemente associada a requisitos regulatórios, a necessidade de assurance pode resultar de muitos outros fatores, desde pedidos de clientes ou instituições financeiras até à decisão da própria organização de reforçar a confiança na informação que comunica.


O que é uma Limited Assurance?

Uma Limited Assurance é um trabalho de garantia independente realizado sobre determinada informação, com base em critérios previamente definidos.

O objetivo é obter evidência suficiente para permitir a emissão de uma conclusão independente sobre a informação analisada.

No contexto da sustentabilidade, este trabalho pode incidir, por exemplo, sobre:

  • Informação incluída num relatório de sustentabilidade;
  • Emissões de gases com efeito de estufa;
  • Consumo energético;
  • Indicadores ambientais ou sociais;
  • KPIs de sustentabilidade;
  • Informação associada a financiamento sustentável;
  • Outros disclosures ESG específicos.


Limited Assurance ou Reasonable Assurance?

A principal diferença está no nível de confiança proporcionado e na extensão dos procedimentos realizados. A escolha entre Limited e Reasonable Assurance depende do objetivo do trabalho, dos requisitos aplicáveis e das expectativas dos utilizadores da informação.

Em termos simples: quanto maior o nível de assurance pretendido, maior tende a ser a profundidade do trabalho e a evidência necessária para suportar a conclusão.

Porque pode uma organização precisar de assurance?

A resposta depende do contexto, das expectativas dos stakeholders e da utilização que é feita da informação ESG.


Requisitos de reporte

As obrigações de reporte de sustentabilidade contribuíram para colocar a assurance no centro da discussão sobre a qualidade da informação ESG.

Contudo, a regulação é apenas um dos possíveis drivers.

Mesmo organizações que não estejam diretamente abrangidas por determinadas obrigações podem enfrentar pedidos crescentes de informação, documentação e validação por parte do mercado.


Clientes e cadeia de valor

A exigência pode também surgir de clientes, particularmente quando uma empresa integra cadeias de valor de grandes organizações ou grupos internacionais.

Emissões, consumos energéticos, práticas laborais e outros indicadores ESG fazem hoje parte de muitos processos de avaliação e qualificação de fornecedores.

Nestes casos, a qualidade da informação deixa de ser apenas uma questão de reporting e pode assumir uma dimensão comercial.

A questão passa a ser: O seu cliente pretende apenas receber informação ou precisa também de confiar nela?


Bancos e financiamento

Também as instituições financeiras estão a atribuir maior relevância à informação de sustentabilidade.

Determinados instrumentos de financiamento podem estar associados a KPIs, metas ou compromissos ESG. Sempre que um indicador influencia condições de financiamento ou suporta decisões financeiras, aumenta a importância de garantir que os dados são consistentes, devidamente documentados e suportados por evidência.

A verificação independente pode, por isso, assumir um papel relevante na credibilização dessa informação.


Avaliações ESG e outros pedidos de stakeholders

Processos de avaliação como a EcoVadis e outras plataformas ESG assentam na análise de documentação e evidências.

Uma Limited Assurance não constitui, por si só, uma exigência geral destas avaliações. No entanto, informação suportada por processos sólidos e, quando aplicável, por verificação independente pode contribuir para uma abordagem mais robusta à gestão e apresentação da informação ESG.

O mesmo princípio pode aplicar-se a pedidos provenientes de investidores, parceiros de negócio ou outros stakeholders.

Assurance também pode ser uma decisão interna

Nem sempre é uma entidade externa que desencadeia a necessidade de assurance.

Uma organização pode decidir voluntariamente sujeitar determinada informação a verificação independente para reforçar a confiança da Administração e de outros utilizadores internos nos dados utilizados para tomada de decisão.

Além da conclusão independente, o próprio processo pode ajudar a identificar fragilidades ao nível de:

  • Qualidade e disponibilidade dos dados;
  • Definição de responsabilidades;
  • Metodologias de cálculo;
  • Documentação de suporte;
  • Consistência entre períodos;
  • Controlos e rastreabilidade.

Por esse motivo, a preparação para assurance pode ter valor mesmo antes de existir uma obrigação formal de verificação.


A sua organização está preparada?

Este é frequentemente o verdadeiro desafio.

Uma organização pode dispor de um relatório de sustentabilidade bem estruturado e, ainda assim, não estar preparada para submeter a informação a verificação independente.

Antes de avançar, importa colocar algumas questões essenciais e quando as respostas não são claras, pode ser necessário trabalhar primeiro na preparação dos processos, dados e controlos. É neste contexto que um exercício de assurance readiness pode assumir particular relevância.

Ao identificar antecipadamente lacunas de documentação, responsabilidades, metodologias ou evidência, a organização pode preparar-se de forma estruturada antes de iniciar um trabalho formal de assurance.

 

A Crowe pode apoiar as organizações na avaliação das suas necessidades de assurance e na análise do grau de preparação dos respetivos dados, processos, controlos e evidências.

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