A palavra que mais ouvi foi “velocidade”.
As empresas estão a decidir num contexto em que tudo acontece mais depressa e em que a informação disponível pode ficar desatualizada em pouco tempo. Esta realidade cria uma tensão permanente entre o receio de ficar de fora e a prudência de quem quer investir com critério.
Decidir bem já não significa esperar por toda a informação. Significa decidir com a informação possível, perceber quais os riscos que podem ser geridos e manter a capacidade de corrigir o rumo.
A qualidade da decisão mede-se também pela capacidade de adaptação que a organização conserva depois de decidir.
A Inteligência Artificial esteve presente em muitas conversas. Mas também houve consenso sobre a distância que ainda existe entre o discurso e a adoção real.
Dar acesso a ferramentas de IA generativa às equipas é um primeiro passo. Não é, por si só, transformação.
Se as pessoas continuam a trabalhar com os mesmos processos, os mesmos fluxos de aprovação e os mesmos modelos de decisão, o resultado será sobretudo um ganho marginal de produtividade individual.
O impacto mais relevante surge quando as empresas redesenham a forma como trabalham: simplificam processos antes de os automatizar, automatizam antes de introduzir agentes autónomos e só depois avançam para sistemas capazes de executar tarefas com menor supervisão.
As empresas que já estão a sentir resultados concretos não são necessariamente as que mais comunicam sobre IA, mas sim as que mais alteraram a sua operação.
Outra ideia recorrente foi a necessidade de resolver questões de governança, segurança e confidencialidade antes de avançar para investimentos significativos em IA.
Quem tem acesso a cada informação? Como se protege a propriedade intelectual? Que dados podem ser processados por sistemas próprios ou de terceiros? Como se controla a utilização de agentes de IA que acedem, cruzam e processam informação?
Estas não são questões secundárias. São parte da própria estratégia de transformação.
Investir em IA sem responder a estas perguntas é construir sobre areia. O risco pode não ser visível no início, mas o custo de o corrigir será, quase sempre, superior ao custo de o prevenir.
Houve, por fim, uma conversa menos técnica, mas especialmente importante: a saúde mental e física dos próprios líderes.
Num contexto de decisões rápidas, pressão constante e responsabilidade sobre equipas inteiras, cuidar de si não deve ser visto como um luxo. É uma condição para manter a qualidade da decisão, liderar equipas e responder aos desafios com clareza.
Esta foi talvez a conversa mais honesta do encontro, precisamente porque é uma das que menos espaço têm no discurso público sobre liderança.
Mais do que as intervenções em palco, ficam as conversas nos corredores. Ficam os líderes que partilham as suas dúvidas e não apenas as suas certezas. Ficam os espaços onde é possível pensar em voz alta, sem a pressão de ter sempre a resposta certa.
Num momento em que as empresas enfrentam mudanças rápidas, decisões complexas e uma pressão crescente para se transformarem, esta capacidade de ouvir, questionar e aprender com outros líderes pode ser uma vantagem competitiva subestimada.
É também essa a relevância de encontros como “CEO - O QUE FICA”: criar tempo e espaço para discutir não apenas o que as empresas estão a fazer, mas também o que estão a aprender.
Porque, no final, o que fica não é apenas a decisão tomada.
Fica a capacidade de compreender por que razão foi tomada, o impacto que gerou e aquilo que a organização aprendeu com o caminho.