Chegar à liderança não foi a conclusão da minha trajetória. Foi o momento em que comecei a enxergá-la de outra forma.
Há 20 anos, entrei na empresa como trainee. De lá para cá, construí uma trajetória que me levou à sociedade e, mais recentemente, à liderança da divisão. Olhando em retrospectiva, pode parecer que esse sempre foi o plano. Não foi.
Sempre tive ambição. Nunca duvidei da minha capacidade e nunca estabeleci limites para onde poderia chegar. Mas assumir a liderança da divisão aconteceu em um momento em que eu já havia conquistado meu espaço, estava confortável com a minha posição e, mais uma vez, precisei escolher entre permanecer onde estava segura ou aceitar um novo desafio.
Escolhi o desafio.
Quando assumi a gestão, em 2024, imaginava que a maior dificuldade seria o peso da responsabilidade. Não apenas por estar à frente de uma divisão, mas por dar continuidade a uma história construída ao longo de muitos anos pelo sócio fundador.
Havia um legado a respeitar, uma cultura estabelecida, pessoas a desenvolver e reter e, ao mesmo tempo, a responsabilidade de conduzir a divisão para um novo momento.
Tudo isso, de fato, faz parte da função. Mas descobri que liderar é ainda mais complexo.
Liderança também significa administrar expectativas, conciliar diferentes perspectivas, tomar decisões que nem sempre serão compreendidas por todos e entender que confiança se constrói ao longo do tempo.
Significa, sobretudo, encontrar a própria forma de liderar.
Aprendi que honrar um legado não é simplesmente reproduzi-lo. É reconhecer tudo o que foi construído, preservar aquilo que nos trouxe até aqui e ter coragem para fazer diferente quando necessário.
Os números importam. Fazem parte da responsabilidade de quem lidera um negócio e são uma medida objetiva da nossa evolução. Mas, olhando para esses três anos, percebo que meu maior orgulho não está apenas neles.
Está nas pessoas.
Está em olhar para o lado e enxergar um time engajado, inconformado em fazer sempre melhor e genuinamente disposto a construir resultados diferentes.
Ao longo da carreira, somos reconhecidos muitas vezes pelo que individualmente somos capazes de entregar. Quando assumimos a responsabilidade por um negócio e por um time, essa lógica muda. Uma das maiores realizações passa a ser aquilo que conseguimos construir por meio das pessoas, criando um ambiente em que elas também queiram assumir responsabilidades, crescer e fazer parte do resultado.
Ao mesmo tempo, minha perspectiva sobre a própria carreira também se ampliou.
A oportunidade de estar mais próxima de uma realidade global, conhecer outros mercados, culturas e formas de pensar me fez olhar além das fronteiras que, muitas vezes, estabelecemos para nós mesmos.
Crescer não significa necessariamente subir mais um degrau. Às vezes, significa ampliar o horizonte.
Nem todas as oportunidades que transformaram minha trajetória faziam parte de um plano cuidadosamente desenhado. Algumas simplesmente apareceram e me colocaram diante de uma escolha: permanecer no lugar que eu já dominava ou aceitar o desconforto de descobrir do que ainda era capaz.
Por isso, se pudesse compartilhar uma reflexão com quem está construindo sua carreira agora, não seria a de que é preciso ter todas as respostas ou um plano perfeito para os próximos 10 ou 20 anos.
Talvez você não precise saber hoje onde quer chegar. Precisa estar disposto a não se limitar ao lugar em que já se sente confortável.
E talvez essa seja a maior mudança de perspectiva de todas: chegar até aqui não me trouxe a sensação de ter chegado, me fez enxergar o quanto ainda existe pela frente.