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Sua empresa está preparada para uma nova jornada de trabalho?

28/10/2026
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Na minha avaliação, o fim da escala 6x1 exige que as empresas revisem a forma como organizam o trabalho, dimensionam suas equipes e conciliam as necessidades da operação com o descanso dos profissionais. A qualidade dessa transição dependerá de planejamento, diálogo e capacidade de execução.

A redução da jornada sem diminuição salarial representa um avanço para os trabalhadores. Sua implementação, porém, exige decisões que considerem as particularidades de cada negócio. Entendo que o desafio da gestão será transformar as novas regras em práticas que preservem a continuidade dos serviços e promovam melhores condições de trabalho.

Por isso, considero essencial a atuação integrada entre a área trabalhista, Recursos Humanos, Finanças e Operações. A mudança envolve custos, produtividade, processos e relações de trabalho, e precisa ser conduzida com uma visão conjunta desses fatores.

O período de adequação deve ser utilizado para mapear impactos, definir responsáveis e estabelecer um calendário de ações. Adiar essa análise pode concentrar decisões complexas perto dos prazos de implementação e limitar as alternativas disponíveis.

O primeiro passo, na minha visão, é conhecer a realidade de cada operação. Jornadas praticadas, escalas, horas extras, intervalos e necessidades de cobertura devem ser avaliados por unidade e função. Empresas que funcionam aos finais de semana ou de forma ininterrupta precisarão de atenção especial ao dimensionamento das equipes.

Defendo que essas decisões sejam baseadas em dados. Uma solução adequada para uma área administrativa pode não funcionar em uma operação de atendimento ou produção. Aplicar o mesmo modelo a contextos diferentes pode gerar sobrecarga e comprometer a qualidade dos serviços.

A preservação dos salários diante de uma jornada menor exige recalcular o custo da hora de trabalho e avaliar possíveis despesas com contratações, horas extras e reorganização dos turnos. Minha recomendação é construir cenários por operação, considerando a demanda, a jornada atualmente praticada e as possibilidades reais de melhorar processos. Estimativas genéricas podem ajudar no debate, mas são insuficientes para orientar decisões específicas de uma empresa.

Também considero necessário ter cautela com a expectativa de que ganhos de produtividade compensarão automaticamente a redução das horas. Esses ganhos precisam ser identificados e acompanhados. Quando houver necessidade de ampliar equipes ou investir em recursos, isso deve aparecer com clareza no planejamento.

Uma das minhas principais preocupações é a tentativa de concentrar a mesma carga de atividades em menos tempo, sem ajustar prioridades e recursos. Essa escolha pode aumentar a pressão sobre os profissionais e comprometer os benefícios esperados com a ampliação do descanso.

A transição deve incluir uma análise de retrabalho, tarefas duplicadas, reuniões pouco produtivas e falhas na passagem de turno. As lideranças precisarão de orientações claras para distribuir atividades, estabelecer metas e administrar as novas escalas. Ouvir os trabalhadores também será fundamental. Quem executa as tarefas conhece dificuldades que nem sempre aparecem nos relatórios e pode contribuir para soluções mais viáveis no cotidiano.

Nesse contexto, vejo a área trabalhista como parte central da construção dessa transição. Sua atuação envolve interpretar as regras, revisar instrumentos coletivos, orientar ajustes nos controles e apoiar o diálogo com os sindicatos. A análise jurídica deve acompanhar as decisões operacionais desde o início, considerando as particularidades de cada categoria e seus efeitos sobre os sistemas de ponto, a folha de pagamento e os procedimentos internos.

Após a implementação, será necessário acompanhar horas extras, absenteísmo, rotatividade, qualidade e produtividade. Esses indicadores, combinados com a escuta das equipes, permitirão identificar problemas e corrigir escolhas.

Meu ponto de vista é que as empresas precisam incorporar o descanso ao planejamento do trabalho. Quanto antes conhecerem seus impactos e prepararem suas lideranças, melhores serão suas condições de cumprir as novas exigências e preservar a qualidade da operação. Uma transição bem conduzida deve resultar em uma organização mais sustentável para o negócio e em uma melhoria efetiva na rotina dos trabalhadores.

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Alex Gimenez
Consulting ManagerSão Paulo Office                                                                                                                        +55 11 5632.3733                              +55 11 98644.0105