Vou confessar uma coisa: sou um sujeito curioso. Mesmo considerando que minhas especialidades são o mercado de capitais e a contabilidade, fui recentemente a um evento sobre "cybersecurity", oferecido pela Crowe Macro, cujo nome me atraiu inexoravelmente: “O Lado Invisível da Ameaça Cibernética”. Caro leitor, conta uma coisa para mim: você também teria se sentido atraído, né? O conteúdo abordou assuntos relacionados com tecnologia da informação e da nova coqueluche: a inteligência artificial, que, na minha modesta opinião, tem muito de artificial e pouco de inteligente, por enquanto.
Como todo o mundo nestes tempos modernos, sou um usuário empedernido da tecnologia e aproveito suas vantagens o tanto que posso. Mas, apesar de não ter nascido com um laptop na mão, aprendi que isso tem de ser tratado com todo cuidado. Como eu costumo dizer, hoje temos de ‘dormir com os olhos abertos’. Simples consciência das tais ameaças cibernéticas.
Devo confessar mais uma coisa: o evento foi fantástico! Apesar de me considerar um usuário tecnológico, daqueles que não entendem da Tecnologia da Informação, mas a usam intensamente no seu cotidiano, o evento me serviu para vislumbrar o tanto que ainda não sei. E pensei também em quantas pessoas têm seu dia a dia parecido com o meu: usando tecnologia a torto e a direito, tendo mil precauções para não entrar em "frias", mas desconhecendo o real problema.
Neste curto ensaio, quero tratar resumidamente dos impactos nas pessoas jurídicas. No ambiente corporativo, o panorama se complica enormemente. Por quê? Por vários motivos:
(i) São muitas pessoas usando variedade de sistemas e plataformas;
(ii) As camadas de proteção idealizadas e implantadas pelo pessoal de TI, se forem muito rígidas, inviabilizariam os negócios, na prática;
(iii) Controlar e disciplinar o uso de TI pode custar mais do que o dano que se pretende evitar;
(iv) Normalmente, no ambiente corporativo, falamos de montantes monetários bem superiores aos das pessoas físicas.
Nas corporações, existem duas camadas de proteção: (a) os sistemas desenhados para evitar colapsos, invasões e seus consequentes danos financeiros; e (b) a necessária educação das pessoas que, no cotidiano, operam esses sistemas. Apesar de não dito pelos palestrantes do evento acima mencionado, me dei conta de que, na camada (a), os desafios são relativamente mais simples. É necessário calibrar os esforços na instalação de elementos de proteção, na medida necessária para ‘dormir tranquilo’, sem prejudicar (travar) o andamento dos negócios. Considero esse desafio mais ‘simples’, pois existem no mercado profissionais preparados para desenhar e implantar essas ferramentas. A Crowe Macro tem esses profissionais.
É no território (b) que, seguindo o dito popular, "a porca torce o rabo". Esclareço: por vários motivos, dentre eles o fato de que nem todos os colaboradores têm preparo suficiente para entender o tamanho do problema e colaborar consciente e efetivamente para sua solução (prevenção). Sempre poderá haver pessoas mal-intencionadas ou com interesses pessoais que tentem driblar os controles. Estresse, cansaço, problemas pessoais e/ou desinteresse podem fazer com que, mesmo sem intenção, algum colaborador ‘pise na bola’. A única solução, mesmo que parcial: educação, educação, educação.
Conclusão: não dá para pensar que estamos livres das ameaças cibernéticas. Como quase tudo na vida, dá para enxergar vantagens e desvantagens. A única coisa que podemos fazer é tentar aproveitar ao máximo as vantagens e reduzir ao mínimo os perigos. Empresário: organize suas camadas de proteção de modo a não travar seu negócio e treine permanentemente seu pessoal para não escorregar nas ‘cascas de banana’. Nas duas áreas haverá riscos, mas certo grau de risco é inevitável.
O conteúdo apresentado reflete exclusivamente a opinião de Ricardo Rodil e não necessariamente representa o posicionamento institucional da Crowe Macro.